Arnaldo eleito governador, o grupo Sarney, principalmente o casal Roseana e Jorge Murad, não teriam mais poder sobre o governo – os negócios e interesses do clã estariam ameaçados – e naturalmente Melo seria candidato a reeleição sem vínculos com a oligarquia, causando um estrago no arraial sarneisista. Automaticamente a candidatura de Luis Fernando deixaria de existir, já que não poderia contar mais com o apoio da máquina administrativa.
Ou seja, sem conseguir mediar um acordo Roseana teve que ficar no governo a contragosto. Desfecho não esperado por ela.
O semblante de enterro e a voz de choro da filha do senador José Sarney ao anunciar na tarde desta sexta-feira, em breves e insossas palavras, de que permanece como governadora até o último dia de seu mandato deu a senha de o quanto ela estava contrariada.
Roseana sabe das dificuldades do seu pai se reeleger no Amapá e tem consciência, mais ainda, das dificuldades de Luis Fernando. A esperança dela era garantir uma vaga no Senado Federal (sem mandato Roseana sabe que terá sérios problemas com a justiça) para dar sobrevida ao grupo e ver Luis candidato a governador no cargo, pois ele teria condições de mostrar alguma coisa. Seria o tiro de misericórdia.
Para desespero de Roseana Sarney, deu tudo errado. Agora, como diz o adágio popular, nem mel, nem cabaça. A derrota definitiva da oligarquia está cada vez mais próxima.